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SBGG anuncia resultados de pesquisa sobre cuidados paliativos

Nesta terça-feira (17/12), a Comissão de Cuidados Paliativos da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) divulgou os resultados da iniciativa “Choosing Wisely – Cuidados paliativos para a pessoa idosa”.

Com base na iniciativa internacional Choosing Wisely, os resultados trazem cinco indicações mais relevantes de condutas que não devem ser adotadas por profissionais de saúde na atenção de idosos em contexto paliativo. A pesquisa foi lançada em maio e participaram do questionário, online e gratuito, 1.038 profissionais de saúde e pesquisadores de todo o país.

A presidente da Comissão, Drª Ana Beatriz Di Tommaso, reitera que as recomendações dizem respeito às condutas que são comuns na prática diária dos profissionais de saúde, mas que devem ser evitadas: “Quando relembramos o que não deve ser feito, reforçamos a boa prática por meio do estímulo à reflexão”.

Veja as recomendações:

  1. Não indique alimentação artificial no contexto da terminalidade

A oferta de nutrição por sondas, nessas condições, não previne broncoaspiração, não melhora marcadores nutricionais, pode induzir agitação e aumentar o risco de lesões de pele por imobilidade. Prefira discutir com a família a proposta de alimentação de conforto, em que o paciente recebe alimentos de sua preferência pela via oral, até o final da vida, conforme aceitação, na consistência mais segura para deglutição, preferencialmente, com o suporte de profissional da Fonoaudiologia ou Nutrição.

  1. Não indique intubação orotraqueal como medida de conforto para tratar dispneia ao final da vida

Suporte ventilatório invasivo é medida avançada de sustentação de vida. Mesmo pacientes acoplados à ventilação mecânica podem apresentar dispneia. O tratamento de dispneia terminal deve ser feito com opioides, titulados da forma correta, que podem ser associados a fármacos anticolinérgicos que reduzam as secreções respiratórias. Recomenda-se considerar, como medidas adicionais de conforto, o suporte de fisioterapia respiratória e sedação paliativa.

  1. Não prescreva infusão de líquidos por via parental como medida de conforto para pacientes em processo de morrer

A reposição volêmica parenteral é dolorosa e desnecessária. Menos débito urinário significa menor necessidade de saída do leito, de acessórios para micção ou cateter. Menos fluído no trato gastrointestinal evita vômitos. Com menor secreção pulmonar, ocorrem menos tosse, congestão, ascite e edema periférico. Hipovolemia ao final da vida causa diminuição do nível de consciência e da percepção de desconforto. As cetonas e outros subprodutos metabólicos na desidratação atuam como anestésicos naturais para o sistema nervoso central, causando diminuição dos níveis de consciência e diminuição do desconforto.

  1. Não promova controle glicêmico rigoroso em idosos em final de vida

A avaliação geriátrica é fundamental para decisão de metas de glicemia. Deve-se individualizar condutas de acordo com as condições clínicas, funcionais e até sociais. Quando o final da vida se aproxima, o controle rigoroso não se faz mais necessário e medicações hipoglicemiantes podem ser descontinuadas. Os valores de hemoglobina glicada podem até ficar acima de 8%. Para os diabéticos tipo 1, uma pequena quantidade de insulina basal pode manter os níveis séricos de glicose e prevenir complicações agudas hiperglicêmicas.

  1. Não institua medidas de suporte avançado de vida em pessoas com doenças incuráveis sem ter conversado previamente sobre seus valores e preferências

Os médicos precisam desenvolver a habilidade de conversar com os pacientes sob seus cuidados, ao longo da trajetória das doenças crônico-degenerativas, a respeito de suas vontades. O registro de uma Diretiva Antecipada de Vontade é a forma de proteger a pessoa, com o potencial de manter o foco do tratamento, ao final da vida, naquilo que realmente importa para ela.