Se esse é seu primeiro acesso, clique aqui. Esqueci minha senha

Rápida transição demográfica e falta de planejamento prejudicam acesso à saúde e qualidade de vida de idosos, afirma especialista

22/06/2018

Assim como os países desenvolvidos, a população brasileira está envelhecendo. Entretanto, esta mudança demográfica está acontecendo de forma mais rápida, sem os recursos que países mais ricos tiveram à disposição para responder ao envelhecimento e sem o planejamento necessário para que os idosos tenham saúde e qualidade de vida adequados. Quem afirma isso é o médico-gerontólogo Alexandre Kalache, presidente Centro Internacional de Longevidade Brasil e ex-diretor do programa envelhecimento e saúde da Organização Mundial da Saúde, (OMS).

Segundo dados do IBGE, a população idosa brasileira em 2010 era de quase 20 milhões. Em 2050 este número triplicará e serão mais 66,5 milhões de pessoas acima dos 60 anos. São os adultos com mais de trinta anos hoje que envelhecerão em grande maioria em entornos urbanos – razão pela qual a OMS lançou em 2007 o “Guia Global: Cidade Amiga do Idoso”, liderado por Kalache, então diretor do Departamento de Envelhecimento e Saúde da entidade.

Com envelhecimento populacional e o adensamento urbano, Kalache desenvolveu o conceito de Cidade Amiga do Idoso a fim de elaborar estratégias para que os centros urbanos sejam mais acessíveis e acolhedores para toda a população. A ideia abrange locais públicos, arquitetura, participação cívica, acesso a serviços e lazer, entre outros.  “O projeto piloto, em 2006, foi desenvolvido em Copacabana e o Guia da Cidade Amiga dos Idosos, nele inspirado, hoje está sendo aplicado em mais de 2 mil cidades mundo a fora” afirma Kalache.

“Isso passou a ser um movimento importante de como preparar uma cidade para uma população que envelhece, ouvindo a voz do idoso e depois aplicar em políticas públicas. E esse enfoque amigo do idosos é utilizado não só em cidades, mas adaptados a centros de saúde, hospitais, turismo, transporte público”, explica Kalache.

O especialista ressalta que, por exemplo, calçadas adequadas e iluminação em vias públicas ou ônibus adaptados beneficiam não apenas os mais velhos, mas todos. “É preciso preparar a sociedade para oferecer condições que fazem a vida do idoso mais fácil. Veja bem, isso não é uma guerra entre gerações. Você está olhando a sociedade pelas lentes de uma pessoa que não tem tanta força, agilidade, rapidez ou que precisa de políticas para vencer a solidão. Uma cidade que é amiga do idoso é uma sociedade amiga de todas as idades”, diz.

Kalache ressalta que as ações precisam ser feitas com compromisso. “Existem outras cidades que clamam ser amigas dos idosos e nada disso é feito com rigor. Dizem que são amigas dos idosos, mas as intervenções políticas efetivas ficam à espera. Não é assim que se criam entornos mais amigos de ninguém”. O especialista aponta que esta é uma ação em que a participação social é fundamental. “É um processo de empoderamento e de consolidação da cidadania em que o idoso tenha um papel de agente ativo no desenvolvimento das políticas que são necessárias para eles”, finaliza.

iTarget

iTarget