Porque as pessoas envelhecem de maneira desigual

A Desigualdade social no Brasil é um desafio que atinge grande parte da população brasileira. Quando relacionamos o envelhecimento em contexto de desigualdade social, o envelhecimento é uma realidade e todos estão constantemente nesse processo. No Brasil, os números mostram que os idosos estão se tornando uma grande parcela da sociedade. Por isso, é necessário olhar atento para as ações que serão tomadas para esse grupo.

Em 2019, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país tinha 32,9 milhões de idosos, o que representa uma tendência no envelhecimento geral da população e mostra que o número de pessoas com mais de 60 anos já é superior ao de crianças com até 9 anos.

O processo de envelhecimento pode ser vivido de diversas formas, e não são apenas os fatores biológicos são determinantes de como uma pessoa vai envelhecer. Aspectos individuais relacionados às escolhas ao longo da vida, assim como fatores socioeconômicos, culturais e até mesmo geográficos influenciam de maneira importante sobre quem e como será o indivíduo que chega à velhice.

Apesar de ser um processo inexorável a quem sobreviver aos anos, esses fatores podem impactar significativamente na qualidade da vida do indivíduo, numa fase que pode ser permeada por muitas dificuldades. Infelizmente, uma das dificuldades é o enfrentamento do preconceito pelo fato de ser idoso (ageísmo ou idadismo); outra desafio é a autonomia; e tudo pode ser agravado por outras variáveis que, em nossa sociedade, ainda são instrumento de discriminação e depreciação, o preconceito racial, por exemplo.

Desigualdades raciais no Brasil

Dados estatísticos mostram que os negros são uma grande parte daqueles que vivem abaixo da linha da pobreza, com pouca mobilidade social e mantendo distanciamento dos brancos. Segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) é grande a diferença salarial entre brancos e negros e essa diferença pode ser ainda maior se os indivíduos não têm curso superior. Isso ilustra o abismo que existe inexplicavelmente em nossa sociedade, onde há superioridade de raça.

Um levantamento realizado pelo SABE (Estudo Saúde, Bem-estar e Envelhecimento), durante os últimos vinte anos, foi realizada uma análise comparativa entre brancos e negros em uma perspectiva racial, do perfil sociodemográfico, das condições de saúde e do uso de serviços de saúde.

O levantamento mostrou que existe uma concentração de pardos e negros que não possuem renda suficiente para as despesas diárias e esses mesmos grupos também apresentam a menor média de escolaridade. Na análise, foi identificado que pretos (25,7%) e pardos (30,2%) são os que menos possuem plano privado de saúde e, quando optam pela opção, pagam os menores valores médios pelos planos. Quando questionados sobre a boa avaliação da própria saúde, 50,3% dos brancos responderam que sim, já nos negros esse número cai para 41,8% dos entrevistados.

A mudança necessária

Especialistas em gerontologia explicam que existem quatro pilares fundamentais para o envelhecimento saudável, e que devem ser acumulados ao longo da vida, como se fossem riquezas. São eles: a saúde, o conhecimento, o capital social e financeiro.

Fundamental ressaltar que entender a velhice muito antes dos 60 anos é importante, pois todas as atitudes tomadas no decorrer da vida refletem de uma maneira ou de outra na idade e no passar dos anos, sejam essas atitudes boas ou ruins. É como se todo o capital que acumulamos pudesse se transformar em “receita” ou despesa” e a velhice poderá ser uma fase de “desfrute” ou de “prejuízo” diante da vida.

Os programas de políticas públicas voltados para as pessoas idosas devem começar na juventude, com foco na educação de qualidade e ampliação de conhecimento; na possibilidade de locomoção social e no reforço da atenção à saúde primária, com profissionais especializados nas demandas dessa população.

A SBGG reforça a necessidade de políticas públicas e de mudança estrutural para que todos tenham acesso às iniciativas necessárias para que a população brasileira possa envelhecer de maneira digna, ativa e saudável.