O etarismo na televisão e nas redes sociais

O etarismo costuma ser generalizado na mídia e a Organização Mundial da Saúde (OMS), no documento ‘Relatório Mundial sobre o Idadismo’, apresenta algumas situações de preconceito etário que ocorrem inclusive nos meios de comunicação.

As representações na televisão, mídias sociais e impressas são cruciais por influenciarem as percepções diárias e as interações, impactando na maneira como a sociedade se relaciona com as pessoas idosas, dando os contornos de como cada um vê o envelhecimento – o seu próprio e o do outro.

A representação da pessoa idosa no decorrer das décadas

Uma revisão de 25 estudos empíricos, realizados de 1982 a 2020, analisou as representações das pessoas idosas na mídia impressa, nos anúncios e programas de televisão na Europa e na América do Norte. A análise revelou que até os anos 1990, as pessoas idosas estavam sub-representadas e eram apresentadas negativamente.

Nos anos noventa, embora os idosos continuassem sub-representados, houve uma mudança em seus estereótipos, que deixaram de ser negativos, apresentados como ofensivos, infelizes, doentes, solitários e dependentes, e passaram para um novo estereótipo, o de pessoas ativas, aproveitando a vida e mantendo um estilo de vida saudável.

Implícita nessa mudança para uma representação positiva do envelhecimento pode estar oculta uma forma mais sutil de etarismo: a de que a boa saúde no final da vida é uma questão de escolha, que a responsabilidade é do indivíduo e que as desigualdades no acesso aos recursos pouco influenciam.

Dois estudos ilustram a sub-representação dos idosos na mídia. O primeiro mostrou que apenas 1,5% dos personagens de televisão nos Estados Unidos eram pessoas idosas, que a maioria teve participação secundária e que foi frequentemente projetada com fins humorísticos, usando o estereótipo de ineficácia física, cognitiva e sexual. O segundo, uma análise do horário nobre da televisão na Alemanha, descobriu que somente 8,5% dos personagens principais eram pessoas idosas.

O etarismo e as redes sociais

O etarismo nas mídias sociais está recebendo crescente atenção das pesquisas. Um estudo voltado para a representação do envelhecimento e dos idosos no Twitter, que analisou 1.200 mensagens, revelou que o linguajar usado nos tweets muitas vezes reforça estereótipos negativos de idosos, associando-os à perda de poder, vulnerabilidade e como sendo um grupo homogêneo, reforçando que o envelhecimento é algo a ser resistido, desacelerado ou escondido.

Um outro estudo que analisou 354 tweets constatou que 12% (43) das mensagens tinham teor etarista. Uma análise de 84 grupos do Facebook voltados para indivíduos idosos constatou que o etarismo transbordava nas trocas em grupos

Uma análise das descrições que apresentavam os grupos demonstrou que todos, exceto um, se centravam sobre os estereótipos negativos da idade: 74% (62/84) caçoavam dos indivíduos idosos, 27% (23/84) os infantilizavam e 37% (31/84) recomendavam que fossem banidos de atividades públicas, como ir às compras.

Como a pessoa idosa é representada em diferentes regiões do mundo

As representações das pessoas idosas pela mídia variam em todo o mundo. Uma análise de 25 estudos de vários países das Américas, Europa, Sudeste da Ásia e Pacífico Ocidental examinou a forma como as pessoas idosas são representadas nos meios de comunicação em massa, e encontrou diferenças importantes entre as sociedades, assim como entre os países asiáticos.

Uma comparação sobre a forma como as pessoas idosas foram representadas no horário nobre nos anúncios de televisão na República da Coreia e nos Estados Unidos constatou que na República da Coreia as pessoas idosas tinham maior probabilidade de desempenharem papéis de destaque e de serem representadas de maneira positiva.

No Japão, uma análise de aproximadamente 3 mil anúncios de televisão veiculados nos cinco principais canais comerciais constatou que as pessoas idosas eram apresentadas de maneira mais favorável, apareciam com mais frequência e desempenhavam papéis mais importantes em 2007 do que em 1997. Mesmo assim, as pessoas idosas continuavam a estar sub-representadas.

Um estudo no qual foi pedido a estudantes nigerianos que descrevessem como os idosos eram representados nos filmes produzidos no país revelou que estes eram representados como sendo pessoas “malvadas”, “fracas”, “pobres” e “diabólicas”.

Na mídia, há uma interação entre o etarismo e o sexismo. Uma análise de 2 mil filmes de Hollywood constatou que quanto mais as mulheres envelhecem, menor a participação delas nos diálogos: 38% dos diálogos couberam às mulheres com idade entre 22 e 31 anos e apenas 20% entre 42 e 65 anos. Por outro lado, os diálogos dos atores masculinos se elevam até alcançar os 65 anos. A partir dos 65, eles começam a ser considerados velhos. A essa altura, os homens falam 5% dos diálogos enquanto que as mulheres apenas 3%.

Quer saber mais? Leis o documento da OMS completo. Clique aqui.

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