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Em Dia Mundial do Alzheimer, dados ainda são subestimados, apesar de avanços no diagnóstico e tratamento da doença

20/09/2019

A data 21 de setembro é lembrada como Dia Mundial do Alzheimer. Estima-se que existam mais de 45 milhões de pessoas vivendo com demências no mundo e que esse número irá dobrar a cada 20 anos, segundo dados disponibilizados pelo Instituto Alzheimer Brasil (IAB). Demências são doenças cerebrais que causam a diminuição progressiva da capacidade cognitiva, alterações de comportamento e perda da funcionalidade. A doença de Alzheimer é o tipo mais frequente de demência.

As demências habitualmente acometem a população idosa. Apenas no Brasil, onde hoje há mais de 29 milhões de pessoas acima dos 60 anos, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acredita-se que quase 2 milhões de pessoas têm demências, sendo que cerca de 40 a 60% delas são do tipo Alzheimer.

Mas esses dados ainda são subestimados e difíceis de serem exatos, devido muitas pessoas não receberem diagnóstico correto, ou mesmo não chegarem ao médico para um diagnóstico. Uma pessoa pode ter mais de um tipo demência, como a de Alzheimer e, conjuntamente, uma doença vascular, esclarece o Dr. Paulo Canineu, médico geriatra pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).

O especialista, um dos mais reconhecidos do país, explica que o diagnóstico pode ser realizado através de exame clínico, neurológico e psiquiátrico, além de rastreamento neuropsicológico, exames de sangue e de imagem (Tomografia do Cérebro e Ressonância Magnética do Cérebro). A história clínica é fundamental realizada com o paciente e família ou cuidador. O diagnóstico está cada vez mais apurado e acontecendo cada vez mais cedo.

“Os primeiros sintomas geralmente são de alterações da memória recente, que são progressivos. Também pode haver mudanças suaves de comportamento, ansiedade e depressão, delírios e alucinações, evoluindo lentamente para perda de nexo, incontinências fecal e urinária e imobilidade física, que pode levar a pessoa a ficar acamada”, detalha o Dr. Canineu, que também é professor de Gerontologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

O médico geriatra relata ainda que há pesquisadores muito preocupados com o tema, em áreas como a Neuropsicogeriatria: “No Brasil, entre outros, a Dra. Lea Grinberg, da Universidade de São Paulo (USP), conduz estudos relacionados ao Alzheimer, por meio de um banco de cérebros para estudos pós-mortem. Existe ainda em nosso país vários cientistas que estudam os diversos aspectos da doença de Alzheimer e vários jovens pesquisadores fazendo formação no exterior”.

Informar e reeducar a sociedade e família

Em meio aos avanços no diagnóstico e tratamento do Alzheimer e de outras demências, a família e a sociedade precisam ser mais bem informadas e têm papel fundamental no cuidado ao idoso com a doença, defende o Dr. Canineu.

“Tratar uma pessoa que teve infarto, por exemplo, é diferente de tratar outra com Alzheimer. Enquanto a primeira depois de um ano pode melhorar, fazendo uma reabilitação e melhorando os hábitos, a segunda, terá uma demência progressiva, por mais precoce que seja o diagnóstico e o início do tratamento”, explica o médico geriatra.

O especialista orienta que a família precisa receber acompanhamento profissional para ter um estresse menor com a situação e o espaço físico necessita ser adaptado. Além disso, é importante a equipe ter, entre outros profissionais, médico, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, enfermeira, psicólogo, nutricionista, bem como um cuidador capacitado, que trabalham em conjunto:

“É fundamental a sociedade e, especialmente a família, receberem informações e entender que tem responsabilidade no cuidado à pessoa com demência. Precisa haver uma reeducação do familiar, que deve receber auxílio dos profissionais de saúde, como o cuidador”, complementa.

Tratamento e prevenção

Ainda não há um tratamento específico para o Alzheimer, doença que se acredita ser causada por fatores internos e externos, como se supõem ser a maior parte das causas das demências e por influência genética. Mesmo sendo progressiva, diz o Dr. Canineu, a demência pode ter os sintomas amenizados com cuidados, como hábitos alimentares mais saudáveis, a prática regular de atividades físicas e cognitivas, e a realização de atividades sociais e de lazer.

“Hoje cada vez mais sabemos que existem fatores protetores e fatores de risco. Por isso, pode-se evitar ou postergar as demências, tratando hipertensão, diabetes, hipotireoidismo, depressão, emagrecendo e alimentando-se adequadamente. Até mesmo fazendo atividades regulares de leitura, e evitando o isolamento social. Assim, a pessoa com Alzheimer pode morrer de outras causas e não da doença”, conclui o médico geriatra pela SBGG.

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