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CBGG 2018: SBGG divulga recomendações sobre escolhas sensatas em saúde em parceria com Choosing Wisely Brasil

07/06/2018

A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia elaborou dez recomendações para escolhas sensatas no atendimento à saúde do idoso. Feitas em parceria com a Choosing Wisely Brasil, o objetivo é promover a comunicação entre profissionais da saúde e pacientes e estimular o debate racional sobre tópicos controversos na assistência ao paciente. A lista oficial foi divulgada durante o XXI Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia, no Rio de Janeiro.

Para o geriatra Renato Bandeira de Mello, coordenador do grupo, as recomendações incentivarão questionamentos sobre condutas frequentemente adotadas na prática clínica. “São recomendações baseadas em evidência científica para que se evitem algumas condutas que estão presentes nas práticas de saúde e nem sempre são a melhor opção para aquele indivíduo, sobretudo por não apresentarem benefícios claros ou por agregarem risco ao paciente”, explica.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), atualmente o Brasil possui cerca de 22,8 milhões de pessoas acima dos 60 anos de idade, o que representa 13% da população brasileira. A expectativa é que, até 2030, este percentual suba para 18%.

Recomendações

Entre as recomendações está o não rastreio para câncer de próstata, mama ou colorretal em idosos assintomáticos com expectativa de vida inferior a 10 anos, ou seja, idosos fisicamente vulneráveis. A ideia é que nestes pacientes o benefício do diagnóstico e tratamento pode não existir, uma vez que o câncer trará consequências somente muitos anos após o diagnóstico, sendo que outras condições de saúde possivelmente sejam limitadores do prognóstico antes que isso aconteça. Além disso, pacientes frágeis são mais suscetíveis às complicações decorrentes da investigação e do tratamento do câncer. Vale ainda ressaltar que mesmo que exames complementares não sejam recomendados neste cenário, o exame clínico realizado em consulta com o profissional da saúde segue sendo fundamental. Adicionalmente, destaca-se que em idosos robustos, plenamente funcionais, as condutas e protocolos sejam indicados sempre que houver concordância do paciente.

Também nesta mesma linha figura entre as recomendações elaboradas pela SBGG a não prescrição de rastreio, tratamento ou intervenção invasiva sem antes considerar o estado funcional, a expectativa de vida e o compartilhamento da decisão com o paciente ou seu representante legal. É preciso considerar a trajetória individual e as vulnerabilidades de cada paciente. A sugestão é que todas as decisões sejam tomadas em conjunto e estejam apoiadas com base na “Avaliação Geriátrica Ampla”, instrumento de análise mais abrangente que considera processo do envelhecimento humano e a vulnerabilidade física, psicológica e social do paciente.

O rastreio acontece quando um paciente sem sintomas realiza procedimentos que podem ser invasivos para detectar alguma doença. “Se a expectativa de vida não ultrapassar 10 anos, os exames invasivos podem causar mais danos aos pacientes do que benefícios. Um exemplo é a exposição à radiação e biópsias sem necessidade. Além disso, o tratamento não mudaria o tempo de vida da pessoa e traria um sofrimento desnecessário”, explica Mello.

A SBGG e CWB também recomendaram não prescrição de um novo medicamento sem que antes haja uma revisão minuciosa dos remédios já em uso pelo paciente. Esta revisão periódica ajudaria a diminuir interações farmacológicas, o uso de medicamentos não mais necessários e, assim, minimizar reações adversas como quedas, sangramentos e declínio cognitivo e funcional.

“Isso prioriza a prescrição racional dos medicamentos do idoso, avaliando remédios que possam não ser mais indicados ou aqueles que podem causar efeitos colaterais no paciente. Com esse tipo de revisão nós também podemos avaliar se a novo remédio interage de forma negativa com outra já utilizada pelo paciente”, aponta o especialista.

Clique no link e confira as dez recomendações da SBGG e CWB

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