Artigo da FMUSP recebe prêmio por melhor artigo científico na área de Covid-19 pela Sociedade Americana de Geriatria

O estudo “COVID-19 is Not Over and Age is Not Enough: Using Frailty for Prognostication in Hospitalized Patients”, produzido pela Disciplina de Geriatria do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), ganhou o prêmio por melhor artigo científico na área de Covid-19 pela Sociedade Americana de Geriatria.

Nessa pesquisa atuaram 48 pesquisadores do Laboratório de Investigação Médica em Envelhecimento (LIM-66) do Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP).

O grupo de investigadores foi composto por médicos residentes e professores de Geriatria, em parceria com médicos infectologistas, radiologistas e equipe multiprofissional.

Os trabalhos ocorreram durante a estrutura especial que foi organizada na instituição para atendimento de pacientes com COVID-19 encaminhados de 85 cidades e 278 hospitais secundários, a maioria da região metropolitana de São Paulo.

Segundo o Dr. Márlon Aliberti, pesquisador do Laboratório de Investigação Médica em Envelhecimento (LIM/66) do Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP e que recebeu o prêmio pela equipe, “essa premiação oferecida pela Sociedade Americana de Geriatria em parceria com uma das principais revistas científicas da nossa especialidade (Revista JAGS) valoriza a capacidade que nós, brasileiros, temos de produzir ciência de qualidade, em nível competitivo internacionalmente e mesmo em situações adversas de pandemia e falta de incentivo à pesquisa”.

O pesquisador continua, “o prêmio também enaltece os nossos esforços, em parceria com a SBGG, no combate ao etarismo que esteve tão presente na pandemia. Como lição, percebemos que vale a pena se dedicar a causas importantes, que valorizem a vida dos nossos pacientes”.

Objetivo do artigo: COVID-19 is Not Over and Age is Not Enough: Using Frailty for Prognostication in Hospitalized Patients

O objetivo do artigo foi estabelecer que idade cronológica por si só não é capaz de definir a gravidade da COVID-19. Os resultados mostraram que para entender melhor os riscos que uma pessoa idosa possui ao contrair a COVID-19 é preciso uma avaliação mais abrangente que combina o grau de fragilidade prévia do indivíduo, presença de doenças crônicas e severidade clínica aguda da doença (por ex., falta de ar, queda da pressão arterial, alterações de exames laboratoriais).

Portanto, não se pode negar o melhor tratamento disponível contra a infecção com base exclusivamente no critério etário.

Uma vez que as pessoas idosas representam uma população muito heterogênea, a idade cronológica não é um bom marcador de vulnerabilidade. Medidas como a fragilidade avaliam melhor a idade biológica e, portanto, a vulnerabilidade dos indivíduos da faixa etária mais avançada.

Resumo do Prof. Wilson Jacob Filho, Professor Titular da Geriatria da FMUSP, sobre o prêmio

“Estávamos no auge da pandemia em 2020, com o ICHC totalmente dedicado a cuidar dos acometidos pela forma mais agressiva da COVID 19, quando uma grande equipe de médicos do Serviço de Geriatria do HC-FMUSP, incluindo Assistentes e Residentes, liderados pelos Professores Marlon Aliberti e Thiago Avelino-Silva, se propôs a rever todos os prontuários dos internados com 50 ou mais anos de idade, no propósito de correlacionar as condições prévias à infecção com a sua evolução a curto e médio prazo, tanto no desfecho mortalidade como nas características funcionais dos sobreviventes.

A análise dos dados permitiu conclusões fundamentais para a melhor compreensão da gravidade da COVID-19 entre os idosos e, por isso, sua publicação no Journal of the American Geriatrics Society com o título “COVID-19 is Not Over and Age is Not Enough: Using Frailty for Prognostication in Hospitalized Patients” foi escolhido como a melhor publicação do periódico nesta área, recebendo o ” 2021 Best COVID Paper Award”, recebido em Sessão Solene da American Geriatrics Society pelo Prof. Marlon Aliberti, durante o Congresso Americano de Geriatria de 2022.

Este estudo, incluído no Projeto CO-FRAIL do SGHC-FMUSP e apoiado pelo COVID HCFMUSP Study Group, foi identificado pela literatura internacional como um marco fundamental na demonstração de que o estado funcional prévio à infecção é um determinante prognóstico muito mais adequado do que a idade cronológica do acometido”.

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