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Envelhecimento não é doença. Confira nota oficial

02/02/2017

SBGG emite posicionamento em retorno às colocações expressas pelo pesquisador Aubrey de Grey, que quer “curar o envelhecimento” até 2037

 A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) vem por meio desta nota esclarecer que o envelhecimento é um processo natural na vida do ser humano e jamais deve ser considerado passível de “cura”. Envelhecimento não é doença.

Após tomar ciência de colocações infundadas sobre o envelhecimento, expressas pelo pesquisador inglês Aubrey de Grey, em entrevista cedida à imprensa*, a SBGG compreende que é fundamental alertar a população para o fato de que interpretar a velhice como sinônimo de doença é uma visão ainda estigmatizada a ser combatida. Cada um dos indivíduos idosos, com suas características e eventuais limitações, merece respeito. Sem rótulos, sem estereótipos.

Idosos com doenças crônicas podem, hoje, exercer integralmente sua cidadania. Isso é uma conquista social que precisa ser celebrada. Não há sentido em qualificar o envelhecimento como algo ruim. Cabe, no entanto, estimular cuidados e hábitos que resultem na melhor qualidade de vida possível na velhice, por meio da promoção da autonomia e do estímulo à independência do idoso.

Outro ponto a ser salientado é quanto à proposta do uso de terapia celular como medida para coibir os processos celulares ligados ao envelhecimento, que podem desencadear impactos na saúde. Grey propõe uma “limpeza” ainda nos estágios iniciais de doenças, por meio do uso de terapias com células-tronco que, segundo ele, poderão repor as células que morreram em decorrência dos detritos que interferem no funcionamento celular. Na concepção de Grey, até mesmo a doença de Alzheimer poderia ser evitada através da terapia celular.

Não existe, no entanto, qualquer evidência científica convincente que sustente essa proposta. O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou a Resolução 1999/2012, que proíbe a prática da denominada “medicina antienvelhecimento”, que se baseia em práticas questionáveis com o objetivo de retardar, modular ou prevenir o processo de envelhecimento.

Por fim, afirmar que “ninguém mais morrerá de velhice porque doenças poderão ser evitadas pelo uso de células-tronco” pode ser considerado, em vista do conhecimento atual, um franco disparate. Morrer de velhice representa uma conquista: é o encerramento natural da existência de um ser humano, que confere sentido à vida que se encerra.

A SBGG repudia qualquer prática antienvelhecimento. A busca da “Fonte da Juventude” tem vasto precedente em lendas medievais, livros de fantasia e filmes de ficção científica – cujo corolário sempre remete à percepção de que a vida importa justamente porque é finita.

Rio de Janeiro, 31 de janeiro de 2017.

José Elias Soares Pinheiro, médico geriatra e presidente da SBGG

Claudia Fló, especialista em gerontologia e presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG

 

 

*Entrevista citada na nota foi publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, em 30 de janeiro de 2017. Acesse aqui

 

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