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Com apoio da SBGG, 1º encontro sobre a especialidade organizado pelo CFM reúne 150 participantes. Confira como foi

26/08/2016

Chamada FACEBOOKPela primeira vez, o Conselho Federal de Medicina (CFM), com apoio da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), realizou o Fórum de Geriatria. O encontro, que aconteceu em Brasília (DF), na sede do Conselho, reuniu aproximadamente 150 participantes de diferentes estados. O evento contou com a presença do presidente da SBGG, José Elias Soares Pinheiro (foto/1º à direita); do CFM, Carlos Vital Tavares Corrêa Lima (foto/à esquerda); e do coordenador da Câmara Técnica de Geriatria e Gerontologia, Aldemir Humberto Soares (foto/ao centro).

No início dos trabalhos, o diretor da autarquia destacou a importância do tema: “a evolução do índice de envelhecimento com o aumento da expectativa de vida e a queda da taxa de fecundidade trazem um desafio no sentido da qualificação do atendimento, em benefício da saúde e qualidade de vida do paciente durante o processo de envelhecimento”, apontou Carlos Vital. (confira também nota do CFM)

Um dos pontos importantes levantados no I Fórum de Geriatria do CFM coube à análise do panorama e da situação das Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) no Brasil. O presidente da SBGG, José Elias Pinheiro, relatou que a Sociedade estará empenhada em promover ações junto à Câmara Técnica do Conselho no intuito de ser elaborada e publicada uma resolução que normatize este tipo de instituição em prol de que seja promovida assistência e moradia dignas aos idosos – o que inclui a qualificação dos profissionais.

Ana Camarano_FotografoDe acordo com a pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Ana Amélia Camarano – que em sua abordagem no Fórum trouxe o panorama das ILPI no Brasil, “este tipo de moradia deve ser uma opção para que os idosos, independentes ou dependentes de cuidados de saúde, possam ser acompanhados e tenham um local para viver e conviver com outras pessoas, seja por opção própria ou nos casos em que a família não tem condições de arcar com esta responsabilidade, seja financeiramente ou estruturalmente”.

Ela mostrou o levantamento do Instituto (IPEA; 2010) que aponta haver no Brasil aproximadamente 3.295 instituições, sendo a maioria das de natureza filantrópica (65,2%). Apenas 6,6% públicas, sendo a predominância sob gestão da esfera municipal, o que corresponde a 218 instituições. Nas ILPIs pesquisadas residem cerca de 100 mil pessoas, das quais 84 mil são idosas, o que representa menos de 1% da população idosa brasileira. Por outro lado, 3,1 milhões de idosos frágeis residem com a família, dependendo de seus cuidados.

Confira álbum  de fotos no facebook da SBGG com registros dos membros da Sociedade

Práticas antienvelhecimento e Resolução 1.999/2012

plateia_marcio arrudaAlém das questões que envolvem às ILPIs, também foi avaliado o impacto da Resolução do CFM 1.999/2012, de 27 de setembro de 2012, resolução que coíbe a prática da denominada “medicina antienvelhecimento” por parte dos médicos, proibindo o uso de terapias hormonais com o objetivo de retardar, modular ou prevenir o processo de envelhecimento.

Em sua fala durante a abertura do Fórum, o presidente da SBGG, José Elias Pinheiro, chamou a atenção para a importância da medida, visto que o envelhecimento abre caminho para um terreno fértil de práticas ditas de antienvelhecimento ou de rejuvenescimento sem base em fundamentos científicos. “A propaganda comercial de forte apelo emocional é amplamente divulgada para atrair os indivíduos com medo da velhice. Haver normativas que regulem o exercício do médico são fundamentais como forma de proteger a população de más práticas, como estas”, avalia o geriatra.

Desde sua aprovação até os dias atuais, foi possível perceber que houve uma redução no número de cursos de capacitação para a referida atividade. Além disso, verificou-se diminuição de registros de denúncias ao Conselho quanto ao exercício do referido “antiaging”. Esta parte do Fórum contou com a presença do 1º coordenador da Câmara Técnica de Geriatria, o Dr. Gerson Zafalon Martins, que à época conduziu as ações que culminaram na publicação da resolução.

Formação e Aspectos jurídicos

Elisa Franco - o que é geriatriaAspectos referentes à formação e atuação do médico especialista em Geriatria também compuseram a grade do Fórum. No âmbito da formação, a geriatra Elisa Franco de Assis Costa (foto/ao lado), reforçou que embora seja necessário haver mais geriatras para suprir a demanda, é preciso se formar de maneira qualificada este especialista. Para isso é preciso não só titular ou criar serviços, mas principalmente, haver tempo adequado para formação.

Entre os desafios para alcançar a formação e qualificação de geriatras, há o número de vagas aquém das necessidades de formação de Geriatras no País, a presença de vagas ociosas, programas deficientes, falta de especialistas capacitados para treinamento, ausência de cenários de prática adequados, especialidade não tem se mostrado atraente e, sobretudo, o pouco conteúdo de Geriatria e Gerontologia abordado durante graduação, que dificulta o interesse do egresso pela especialidade. Hoje o Brasil tem 1.365 especialistas registrados nos CRMs, titulados pela CNRM e/ou pela SBGG/AMB – até agosto de 2016.

 

mesa_juridico Juiza Aglae, Claudia burla Nezilour lobatoNo âmbito jurídico o recorte foi focado nas questões Legais na Interdição Jurídica. Na mesa, geriatra Cláudia Burlá (foto/ao meio), membro da SBGG, e a juíza convidada Maria Aglaé Tedesco Vilardo (foto/1ª esquerda), mediadas pela geriatra Nezilour Lobato Rodrigues, traçaram um intenso debate sobre os aspectos tanto do ponto de vista legal quanto da visão do médico no caso de o indivíduo idoso apresentar esquecimento e ter um diagnóstico de demência e/ou Alzheimer, que o impossibilite de ter autonomia e independência na gestão de suas atividades, bem como de sua vida econômico-financeira. A Dra. Maria Aglaé relatou inclusive que no Rio de Janeiro, cidade em que atua na Vara da Família, ela e outros magistrados se movimentaram com o intuito de haver uma vara do idoso, dissociando-a da esfera da “Infância e Idoso” como vem sendo feito. Ela acredita que isso é um caminho para melhorar a assistência jurídica em prol do idoso – em especial, no que cabe a proteger a integridade física e patrimonial deste indivíduo.

Com informações Ascom SBGG e portal CFM

Crédito imagens: as primeiras fotos são de CFM/Márcio Arruda;  já as duas últimas imagens, de Elisa Franco e mesa jurídica – de SBGG

 

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