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SBGG Entrevista: Presidente da Comissão de Cuidados Paliativos da SBGG, Laiane Dias

laiane_comissão cuidados paliativos 01Neste ano o tema da Campanha Mundial de Cuidados Paliativos  é: “Viver e morrer com Dor: Não precisa ser assim”. Estima-se que pelo menos 18 milhões de pessoas morrem com dor no mundo. Conversamos com a presidente da Comissão de Cuidados Paliativos, Laiane Moraes Dias, que esclareceu as razões pelas quais a paliação é fundamental no controle da dor. Ela também aproveita para contar as perspectivas da Comissão de CP para esta gestão. Confira a seguir. 

SBGG Entrevista: Qual a importância de olhar para a dor de forma diferenciada? 

Laiane Dias: A dor, principalmente a crônica, pode causar grande prejuízo na qualidade de vida do indivíduo, resultando em limitações físicas e funcionais, impactando no bem estar pessoal, na vida social e no trabalho.  Muitos pacientes em cuidados paliativos vão experienciar a dor em algum momento da evolução de suas doenças, ocorrendo de forma mais frequente e mais intensa nas fases avançadas.

SBGG Entrevista: Qual o papel do cuidado paliativo neste processo? É possível analisar o panorama no Brasil em relação a atenção que é dada a questão da dor?

Laiane Dias: As consequências biopsicossociais da dor enfatizam a importância de um controle e tratamento adequados deste sintoma.  Não é raro pacientes evoluírem com quadros depressivos, ansiosos, insônia e perda de apetite por causa de dor. Neste sentido, muitas vezes é preciso haver a assistência por uma equipe interdisciplinar.

É preciso compreender que nem sempre a dor poderá ser aliviada só com a medicação prescrita pelo médico. Muitas vezes o alívio deste sintoma é alcançado por meio de um conjunto de intervenções de profissionais de saúde, como fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, psicólogo, e até mesmo de consultor espiritual, pelo comprometimento multidimensional da dor.

Aproximadamente 80% dos pacientes com câncer apresentam dor, sendo que em alguns desses casos ela é decorrente do próprio tratamento oncológico. Estima-se que pelo menos 40% desses pacientes não têm sua dor controlada.

É importante lembrar que muitos idosos portadores de outras doenças crônicas, como o Alzheimer, o acidente vascular encefálico (AVE) e doenças osteomusculares (como osteoartrose), apresentam dor subdiagnosticada e negligenciada, contribuindo para a piora da qualidade de vida desses idosos.

SBGG Entrevista: Em sua avaliação quais ainda são os desafios para instituir acesso à paliação de qualidade a população brasileira que necessita deste tipo de linha de cuidado?

Laiane Dias: Educação dos profissionais de saúde. As disciplinas de dor e cuidados paliativos ainda não fazem parte da grade curricular da grande maioria das escolas de medicina do país.

Há ainda a falta de conhecimento e prática de uso dos principais fármacos envolvidos no controle da dor mais severa – os opióides, o que gera medo de seu uso pelos próprios profissionais de saúde,  conhecido como ‘ópiofobia’. No entanto, estes fármacos são bem estudados e possuem uma sequência previsível de efeitos adversos, e portanto seguros quando prescritos adequadamente, sob supervisão e avaliação criteriosas.

Os analgésicos opióides ainda são pouco utilizados em nosso país, quando comparados com outros, e isto tem relação inclusive com a qualidade de morte.

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Em um ranking publicado em 2015 pela consultoria inglesa “The Economist”, o Brasil segue na 38o posição de um índice que analisou a qualidade e a disponibilidade de cuidados paliativos prestados aos pacientes portadores de doenças avançadas. Entre os fatores analisados estavam a qualidade do  tratamento prestado, como o  alívio da dor, e disponibilidade de analgésicos opióides.

Aqui no Brasil, ainda temos a burocracia que dificulta a aquisição de opióides, principalmente para pacientes que não estão hospitalizados. As regras do governo são  complexas e rígidas quanto a liberação dessas drogas.

É preciso racionalizar sim o uso de medicações, mas não há razão para que medo de uma possível dependência condene  uma pessoa a passar o tempo que lhe resta com dor.

SBGG Entrevista: Por fim, quais são as perspectivas da Comissão de Cuidados Paliativos para esta nova gestão (2016-2018)? 

A Comissão objetiva dar continuidade a divulgação da boa prática dos cuidados paliativos da SBGG – por meio de encontros organizados pela entidade e demais atividades ligadas à área de envelhecimento, além de  criar novas cartilhas e ferramentas que facilitem a discussão de alguns temas, como as diretivas antecipadas, que ela confidencia ser o foco do próximo lançamento.  (confira os materiais aqui)

SBGG Entrevista: Para a SBGG o adequado manejo da dor no paciente idoso é um assunto tão importante que a entidade neste ano criou a Comissão da Dor. Conheça os objetivos do grupo, que foi lançado em agosto deste ano. Acesse aqui

Saiba mais sobre Cuidados Paliativos e também sobre a ação desenvolvida pela SBGG para marcar a data, que neste ano acontece em 8 de outubro. 

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